Relacionamentos amorosos podem ser bem complicados. Encontrar alguém legal, que tenha os mesmos interesses e que goste de você parece ser como tentar achar uma agulha no palheiro.

Nós do 2 de Paus sabemos que tem muita gente procurando por amor. Recebemos uma enorme quantidade de cartinha sobre o tema todos os dias, de pessoas que querem um namoro fechado e duradouro, mas não estão conseguindo encontrar um parceiro. Por que será que essa galera bacana que quer namorar não se encontra?

Reunimos sete mensagem que recebemos, para que entendam melhor o que estamos falando:

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“Não sou de ficar por ficar, de ficar com qualquer um.

Olá, tenho 20 anos e sou assumidíssimo, mas queria pedir um conselho bacana sobre carência. Sempre fui muito carente, tanto de namorado quanto de amigos.

Meus amigos (que são poucos) moram longe. Não tem nenhum gay nas redondezas onde moro, em casa só converso com minha mãe e não me dou bem com os irmãos heteros e chatos.

Faz um tempo que estou solteiro. Já namorei duas vezes (cada relação durou cerca de 1 ano) e houve 2 projetos de namoros ano passado (que duraram cerca de um mês).

Não sou de ficar por ficar, de ficar com qualquer um. Gosto de ter um alguém que lembre de mim, dê carinho, e isso é o quero proporcionar também. Mas nesse meio gay é difícil, pessoal só quer sexo, putaria, “macho com macho/sigilo/discrição”, e eu desejo alguém que toque o foda-se comigo, que eu possa andar de mãos dadas, dar aquele abraço, aquele beijo mesmo que em público, que queira viver algo sem barreiras, sem limitações.

Sou libriano, então entendam que sou meio bobo e todo romântico. Agradeço qualquer conselho, adoro o blog. Sucesso!

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“Por que as pessoas me veem somente como amigo?

Desde os 15 anos sei da minha sexualidade: sou gay. Porém, posso contar nos dedos de uma só mão, com quantos meninos já fiquei (nunca tive um relacionamento sério).

Por que as pessoas me veem somente como amigo? Por que elas não me veem com outros olhos? Ou elas me veem sim e, eu que ainda não percebi isso (pois me considero BEM TAPADO pra essas coisas)?


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“Será que existe algum problema comigo?

Sou gay, escorpiano, tenho 20 anos de idade e já sou assumido e bem resolvido com a minha sexualidade desde os 16.Apesar de não ter problemas com isso, nunca fiquei com muitos caras. Acho que o máximo que me relacionei foram com 5 garotos (sendo que o maior período foi de 6 meses com um carinha que estava namorando comigo e outro ao mesmo tempo, por isso, quando descobri a traição, terminei). 

O meu problema é que sinto como se ninguém tivesse realmente interesse em estar comigo, sempre que saio pra festas ou algo assim não rola olhares ou paquera. Fico meio desfalcado e acabo voltando pra casa sem pegar ninguém. 

Sinto como se não fosse atraente de nenhuma maneira. Pra vocês terem uma ideia, passei 3 anos sem beijar na boca, nem mesmo um selinho. 

Já fui um garotinho bobo e sem atitude, mas superei a falta de amor próprio e passei a me cuidar, usar roupas melhores, ser mais vaidoso de certa forma e percebi que não era tão feio quanto pensava. 

Porém continuo a passar completamente despercebido pelos garotos. Já cogitei a possibilidade de ter haver com a minha maneira mais delicada de ser e talvez isso não agradar muito. Contudo não tenho intenção de mudar a minha personalidade, gosto da maneira que sou e os amigos que tenho são realmente próximos a mim e dizem sempre que sou agradável de se conviver. 

Sou o tipo de pessoa que, quando está com alguém, procura sempre ser carinhoso (e de certa forma não acho que seja ruim de cama, afinal nenhum cara com quem eu tenha ficado parecia insatisfeito, muito pelo contrário). 

Não sei mais o que pensar, será que existe algum problema comigo? Por que não consigo atrair a atenção de nenhum cara?


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“É possível ter uma relação monogâmica duradoura?

Olá!! Acompanho o site já muito tempo e finalmente criei coragem para entrar em contato e pedir um conselho.

Bom, eu terminei meu primeiro relacionamento sério há mais ou menos um ano e meio. Começamos a namorar quando eu tinha 18 anos, eu era virgem e tinha beijado apenas uns três caras antes dele.

Ele era mais uns anos mais velho e eu achava que isso fazia dele mais maduro e comprometido. 

No começo, claro, era tudo um mar de rosas. A gente se via todos os dias, falava de casamento e tudo mais que o meu imaginário inocente podia permitir.

Então ele começou a ficar estranho e eu fiz uma coisa feia: mexi no seu Facebook e descobri que ele tinha me traído. Quase terminamos, mas perdoei.

Depois disso foi tudo muito desgastante, ele me ofendia, me humilhava e me traiu de novo.

Quando fiquei solteiro, achei que ia morrer. Mas todo mundo acha, não? Superei. Me diverti, peguei geral e tudo mais. Continuava e ainda continuo querendo algo sério, mas não achava saudável emendar uma relação na outra. Depois de um tempo cansei de curtição e comecei a procurar um boy de ouro novo pra namorar.

Esse é o problema: não consigo entrar num relacionamento. Tive até uns rolos, mas não duraram muito e isso me frustra.

Os boys que conheço no Grindr e nos outros aplicativos só estão atrás de fast foda (o que não é nenhum pecado, mas não é o que eu quero), e os caras que conheço na faculdade tem sempre aquele discurso de “cool demais para a monogamia”.

A verdade é que estou ficando um pouco cético. Não apenas pela dificuldade em encontrar alguém, mas o que eu passei com o meu ex e por sempre ver os meus amigos gays também sempre fracassando nos relacionamento me fazem realmente desconfiar das pessoas.

O que vocês acham? É possível ter uma relação monogâmica duradoura? De casar, adotar filhinhos e envelhecer juntos? Se sim, como eu consigo voltar a confiar? Como encontrar alguém bacana?

Desculpem se escrevi um texto muito grande! Agradeço muito pela atenção!

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“Nunca tive um caso ou um namoro que não fosse por intermédio de aplicativo.

Oi, 2 de Paus!

Venho aqui para relatar uma coisa que vem me chateando muito ultimamente. Não sei se é algo que somente eu vivo, mas acredito que deve ter alguém por ai com essa mesma aflição.

Tenho 22 anos e me considero um gay assumido (parte da minha família sabe, meus amigos sabem e tal), porém desde que me aceitei, aos 18 anos, nunca consegui ter uma vida amorosa no “mundo real”.

Nunca tive um caso ou um namoro que não fosse por intermédio de aplicativos, principalmente o Tinder. Sempre fui muito tímido e não tinha (ainda não tenho, rsrs) coragem de chegar nas pessoas.

Via nos apps, uma forma de conversar e saber dos interesses, sem o nervosismo do “ao vivo”. Porém, o que me incomoda é o fato de não perceber as coisas ao meu redor.

Nunca sei quando alguém está afim de mim e, por isso, não tenho coragem de tomar iniciativa. Já me falaram pra prestar atenção nos gestos e olhares, mas sou totalmente tapado pra isso. Ainda pra piorar um pouco, não convivo no “meio” gay (festas, baladas e etc) e os poucos amigos gays que tenho são bem reservados também.

Não vejo nada de errado em conhecer pessoas pelos apps, mas gostaria que algo acontecesse sem essa “muleta”, conhecer alguém bacana, conversar e, quem sabe, ter algo a mais. Ás vezes, parece que no mundo real sou desinteressante.

Parece que não consigo passar algum atrativo as pessoas, o que me deixa meio deprê.


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“Quero algo sério.

Oi! Tenho 24 anos, estudo arquitetura e urbanismo, sou negro, um pouco acima do peso e evangélico. Descobri o site por acaso, vi a coluna de ‘Cartas do Leitor’ e resolvi escrever.

Comecei a perceber que era homossexual desde que eu era criança. Brincando com bonecos de ação, por exemplo, sempre os imaginava se beijando e se pegando.

Tive, separadamente, rolos com o meu primo e o meio irmão dele (com quem perdi a minha virgindade). Meu primeiro sexo não foi uma experiencia muito legal, pois ele fudeu, gozou e me mandou embora. Tentei transar com o mesmo cara uma segunda vez, mas foi tão ruim quanto a primeira. Depois disso nunca mais tive relações sexual com homem algum.

Já me apaixonei outras vezes, mas tudo acaba virando puramente platônico. Teve um cara que eu gostava, mas nunca tentei nada, pois ele era casado e “hétero”. Vários amigos falaram que ele estava se separando, por isso me aproximei mais dele para ajudá-lo. Acreditem, eu não tinha segundas intenções. Dava conselhos e era um ombro amigo.

Porém essa proximidade somente aumentou o que eu sentia por ele.

O fato dele ser carinhoso e fazer coisas como me abraçar por trás, ajudou a piorar a situação.

De repente ele sumiu, quando apareceu estava namorando uma mulher. Minha amiga acha que ele apenas me usou como estepe emocional.

Depois disso eu fiquei sem gostar de ninguém por um bom tempo.

Resolvi usar o Tinder para tentar encontrar alguém, mas já fui dispensado por um cara simplesmente pela distância e o outro simplesmente sumiu e não responde mais.

As vezes eu acho que o problema é comigo, eu sou muito expansivo e extrovertido socialmente, mas quando estou conversando no Tinder fico extremamente tímido e sem saber como puxar assunto.

Talvez seja porque não sou assumido. Na verdade, nem tenho como me assumir, pois meus pais não aceitariam e já deixaram isso claro. Quando o assunto homossexualidade surge na mesa, outras vezes acho que sou muito superficial e sem assunto, por isso as pessoas não se interessam por mim, sem contar o fato de ser gordinho.

Vejo muitos comentários que os gays preferem os mais magros ou os fortes e definidos. Sem contar que o meu primo me chama de Disney quando não tem ninguém por perto, pelo fato deu ser muito romântico e não concordar com a postura dele trepar com o primeiro que aparece na esquina.

Quero algo sério, um relacionamento, alguém para conversar, apoiar e crescer juntos. Mas as vezes acho que nunca vou encontrar essa pessoa.

Obrigado por me ouvirem!


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“Não consigo chegar em alguém que quero ficar.

Olá, queridos! Conheci o blog de vocês a uns dias e tomei coragem de vir aqui pedir uma ajudinha. Tenho apenas 18 anos, mas como todo bom cosmopolita do século XXI, sou bem precoce.

Pra resumir minha história, eu tive problemas com transtorno de ansiedade e depressão. Hoje já estou bem de saúde, mas passei 3 anos na escuridão. O mundo nunca para pra gente levantar, não é mesmo? O tempo passou como se eu fosse invisível, mas me recompus dia após dia.

Nesse meio termo, consegui lapidar minha personalidade, fazer amigos, conhecer novos horizontes, perspectivas e crescer como ser humano. Tudo ótimo, tudo lindo, até que eu conheci meu ex.

Como nada na minha vida é convencional, ele não foi um namorado comum, foi virtual. Sabia que isso tinha chances cavalares de dar errado, mas eu já tava sozinho mesmo, por que não tentar? Nisso se passou um ano de muitas conversas, ligações, vídeo chamas e planos.

Até vendi algumas coisas que não me fariam falta pra juntar dinheiro e conhecê-lo, mas o provável aconteceu: ele saiu com outra pessoa offline e se apaixonou. E eu? Basicamente levei um belo chifre.

Também conheci um garoto que, resumidamente, me apaixonei perdidamente, porém ele preferiu seguir em frente com um cara rico. Depois do ex, conheci outro garoto que quase namorei, mas que também me trocou, dessa vez por um carinha mais bonito.

Essas situações não me fizeram bem. Embora eu tenha conseguido me reerguer sem grandes problemas, acabei ficando com algumas sequelas.

Sempre me dizem que sou lindo, sei levar conversas por horas e que sou divertido, mas não sei realmente como isso tudo se aplica a mim. Sinto que essas qualidades pertencem ao meu outro eu, o que morreu com tanta rejeição. Agora só consigo maquiar o sentimento de insegurança.

Pro mundo, sou uma pessoa segura e centrada. Pra mim, sou só alguém descartável e pronto pra ser usado até que apareça alguém melhor. Não consigo chegar em alguém que quero ficar (nunca foi fácil pra mim, agora menos ainda) e eu entro em pânico quando surge essa possibilidade. Imagino logo como vai terminar e o quanto vou me sentir pior.

Só quero recuperar minha confiança, reaprender como chegar nas pessoas, ser feliz com os prazeres da vida.


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Muitos de vocês tem uma preocupação enorme com o próprio físico e personalidade. Sei que não é fácil, mas temos que parar de achar que os problemas relacionados a esses assuntos estão em nós e passar a criticar os padrões que a sociedade nos impõe, de normalidade e beleza. Se você não está fazendo mal para sua saúde e nem interferindo negativamente na vida de alguém, não há nada de errado contigo.

A dificuldade de encontrar um parceiro do mesmo sexo está bastante relacionada ao preconceito. Por mais que estejamos evoluindo em relação a isso, a homossexualidade ainda não é vista como normal por parte dos mais conservadores. Flertar no meio da rua, por exemplo, não é tão simples assim. A gente nunca sabe quando vai acabar paquerando um heterossexual homofóbico que nos fará algum tipo de mal.

Com isso, muitos gays se sentem limitados a encontrar seus parceiros em aplicativos de relacionamento. Lá dificilmente você vai dar de cara um hétero, sem contar que é menos intimidador conversar digitalmente que pessoalmente.

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Tais aplicativos não são opções ruins, porém não esperem achar um príncipe encantado do nada. É preciso conversar, garimpar, pois a maioria está procurando apenas uma piroca pra sentar ou um buraco para colocar seus membros.

Não fique triste com os foras que receberem. No mundo virtual, as pessoas dificilmente criam laços e muitas vezes são até mau educadas. Logo, tenham em mente que, se colocando nesse tipo de situação, podem encontrar gentinha com nenhum pingo de respeito. Não se deixem abalar por esse tipo de coisa.

Pessoas conhecidas em redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram…) e outros tipos de relacionamentos virtuais também seguem a mesma ideia. Por mais que a galera se ache interessante, é difícil criar uma conexão. Pode acontecer, claro, mas temos que ter em mente que fortalecer esses laços é mais complicado.

Por sermos LGBTs e a sociedade nos atacar tanto, impossibilitando até mesmo de flertar no meio da rua, precisamos parar para entender tais situações e quem/o que está nos oprimindo. Por isso que sempre digo, militar é importante.

Outro ponto interessante para refletir é se estamos seguindo esteriótipos. Que tipo de garoto você está batendo papo? Sempre com os mesmo tipo de caras? São sempre os considerados bonitões? São sempre os mais estilosos? O que é ser bonitão? O que é ser estiloso? Por que não tentar conversar com pessoas com outro tipo de beleza e estilo? Não procure sempre pela mesma galera, você pode se surpreender com o que vai encontrar.

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Não ache que só porque vocês tiveram maus relacionamentos (ou nunca tiveram um), não existe gente maneira por aí. Existe e tá todo mundo tão confuso quanto vocês. Lembrando que, quando encontrarem alguém, um relacionamento não é sempre um mar de rosas. Estamos lidando com pessoas, que nunca vão concordar 100% com o que pensamos e que comentem erros. Então, não sejam tão exigentes e linha dura, pois do mesmo jeito que eles erram, vocês também. Mas, claro, se entrarem em um relacionamento e perceberem que estão infelizes, tem mais é que terminar mesmo. Só estou dizendo para não serem tão exigentes, pois pessoas são pessoas, e pequenos problemas acontecem.

Desejo felicidade a todos.

PS: Para que os relatos não ficassem muito grandes, nós cortamos os elogios de vocês ao 2 de Paus. Contudo, queremos agradecer pelo enorme carinho que recebemos, não só dos autores dessas cartas, mas de todos os leitores do nosso site.

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Os titios aqui amam vocês. haha.

Foto da capa via Pornceptual

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Confira a loja virtual do 2 de Paus 

About The Author

Henrique Assis

Henrique Assis, mais conhecido como Magoo - por não enxergar muito bem sem seus óculos -, é um típico leonino narcisista que pegaria a si mesmo se um dia cruzasse consigo em uma dessas baladinhas alternativas. Com 25 anos e formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica de Brasília, trabalha como designer e é apaixonado por arte. Todo tipo de arte, mas principalmente se ela for relacionada com peladeza e sacanagem.

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