O relato do 2 de Paus de hoje é sério e se refere a violência sexual, o leitor o escreveu como uma forma de desabafo. Apesar de ter um desfecho curioso, o foco aqui é dar apoio ao rapaz e mostrar que esse tipo de situação infelizmente acontece. Enquanto existirem pessoas que usem o medo (ou qualquer outra forma de opressão) com o intuito de violentar, sexualmente ou não, precisamos tomar cuidado e refletir sobre estratégias que nos mantenham seguros e para que histórias assim assim não se repitam.

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(– Seja forte!)

Obrigado por compartilhar sua história com a gente.

 

Sinto falta de conseguir gostar de alguém e, conseqüentemente, a necessidade de me sentir amado (acredito que tive isso apenas uma única vez e, sinceramente, achei a melhor coisa do mundo).

Uma das minhas grandes vontades giram em torno que querer que alguém se interesse por mim pelo que sou. Minha auto estima não é das melhores, mas, ainda assim, tenho a esperança e me arrisco por alguns caminhos em busca de um príncipe e seu cavalo branco  possibilidades.

Nunca fui fã de aplicativos de encontros. Sou um idiota romântico que não aceita que possa sair alguma história de amor disso. Mas para “um prazer momentâneo”, funciona perfeitamente. Esses aplicativos são como feiras, onde cada um pode vender seu produto e sempre tem um que compre. É exatamente assim como me sinto em tais ambientes virtuais: um produto a venda.

Semana passada “fui comprado” por um “cliente” que afirmou gostar de caras como eu. Conversamos durante quase uma semana e resolvemos nos encontrar. Sabia exatamente o que rolaria. Ele era educado e gentil, então porque não usarmos um ao outro para sexo?

Fui até seu apartamento e, ao chegar, rolou o mínimo de diálogo possível – o que foi estranho, já que ele havia se mostrado atencioso desde o início. Ainda assim, deixei que as coisas prosseguissem sem maiores comentários.

Falei que estava com sede e, enquanto eu pegava água, notei que o cara havia entrado no quarto. Quando fui atrás, ele já estava pelado. Fiquei sem graça e meio sem saber o que fazer. Decidi beijá-lo, já que é assim que as pessoas quase sempre começam, porém ele impediu me empurrando pelos ombros para baixo. Não falei nada, pois imaginei que ele fosse uma espécie de Christian Gray tupiniquim (não que eu me interesse, mas estava aberto a novas experiências).

A partir dessa hora vivi o pior momento sexual da minha vida. Ele simplesmente não me deixava fazer nada que pudesse me satisfazer. Quando tentava me levantar para beijá-lo, ele novamente me forçava para baixo. Em um instante, encostei a mão sem querer em sua bunda e fui repreendido com a maior brutalidade do mundo!

Eu já estava cansado quando ele me pediu para deitar na cama. Pensei em parar tudo e ir embora o mais rápido possível, mas não o conhecia e não sabia qual seria sua reação. Deixei que continuasse, desejando que houvesse alguma mudança em seu comportamento. Porém, novamente, ele se satisfez evitando ao máximo o meu toque. Minha vontade era que aquilo tudo acabasse rápido. Perguntei a Deus se estava recebendo algum tipo de castigo, mas não acredito que eu mereça isso!

Quando ele terminou, foi direto para o banheiro e agradeci por aquilo ter acabado. Ao aparecer novamente, a única coisa que me disse foi “então, vou sair”. Indiferente, avisei que iria lavar meu rosto.

Estava me sentindo humilhado, sujo e com muita vergonha do meu corpo. Minha enorme raiva me fez prometer que jamais me submeteria a algo assim novamente! Indignado, refleti se iria deixaria a situação daquela maneira.

Ríspido, o homem gritou do andar debaixo me chamando para descer, pois ele era casado e eu precisava ir embora (não sei se era verdade ou ele só queria me apressar para ir embora). Falei para esperar apenas eu calçar o sapato, e essa foi minha desculpa para ganhar tempo. Então uma cena do filme “História Cruzadas” (que eu amo!) acabou passando pela minha cabeça. Nela a personagem Minie Jackson oferece uma torta para sua antiga patroa em uma tentativa fajuta de reconciliação, com a intenção de vingança por toda a ruindade da ex-chefe. Porém ela acrescentou como ingrediente o seu próprio cocô, e a vingança consistiu em ver a madame comer dois grandes pedaços do doce.

Entrei no banheiro, reuni o máximo de papel higiênico que pude e botei pra fora tudo que podia (para o azar dele, tudo que eu podia foi MUITO!).  O ouvi gritando novamente, então peguei o papel higiênico com toda surpresa e coloquei embaixo de suas cobertas.

Fui embora desejando que ele deitasse na minha merda quando fosse dormir. Sei que a vingança foi idiota, mas ninguém merece se sentir apenas um pedaço de bunda, pinto ou vagina! Eu não queria deixar aquela lembrança apenas como uma tristeza.

 

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Para quem não sabe, violência sexual é qualquer ato sexual indesejado, ou tentativa de ato sexual, avanço ou comentário sexual não desejado, assim como quaisquer outros contatos e interações de natureza sexual efetuados por uma pessoa sobre outra, contra a sua vontade.

A violência sexual pode ser cometida por diferentes pessoas, por exemplo:

– estranhos;
– alguém que se conhece (ex.: colega; vizinho/a);
– alguém próximo (ex.: familiar; amigo/a; (ex)namorado/a);
– adultos contra crianças/jovens;
– entre adultos;
– entre jovens;
– por homens ou mulheres;
 

Pode, por isso, acontecer em diferentes relações, tais como:

– nas relações mais íntimas;
– nas relações familiares;
– nas relações de namoro;
– nas relações de amizade;
– nas relações ocasionais (numa pegação ou relacionamento de uma noite);
– nas relações formais (com colegas de trabalho, por exemplo).
 

Também pode acontecer em diferentes contextos, por exemplo:

– em casa;
– na escola;
– na rua;
– na internet.
 

O(s)/A(s) agressor(es) pode(m) usar diferentes estratégias para concretizar a violência sexual:

– força física ou violência;
– ameaçar e/ou chantagear, humilhar ou intimidar (ex.: ameaçar que faz mal a alguém próximo da vítima; ameaçar que se revela um segredo da vítima se esta não se envolver sexualmente com o/a autor/a da ameaça);
– aproveitar a relação de confiança que tem com a vítima para a agredir sexualmente (pode, por exemplo, acontecer nas situações de violência sexual em que a vítima e o/a agressor/a são próximos);
– aproveitar o seu maior poder ou autoridade para pressionar ou forçar a vítima (ex.: quando um/a chefe ou superior hierárquico usa o seu o cargo para forçar os seus funcionários à prática de atos sexuais);
– colocar previamente a vítima num estado em que não é capaz de resistir ao que está a acontecer (ex.: quando a violência sexual é cometida depois de a vítima ser intoxicada com álcool ou drogas).
 

A VIOLÊNCIA SEXUAL NÃO SE RESUME À PENETRAÇÃO FORÇADA. Há muitos outros atos de natureza sexual que podem ser formas de violência:

– toques íntimos não desejados, como beijar, acariciar ou apalpar;
– comentários ou piadas de carácter sexual que causam desconforto ou receio;
– carícias indesejadas nos órgãos sexuais;
– ser forçado/a a tocar nos órgãos sexuais de outra pessoa;
– ser penetrado/a por via oral, vaginal ou anal por pénis, por outras partes do corpo (ex.: dedos) ou objetos;
– ser obrigado/a a penetrar outra pessoa ou a praticar com ela sexo oral;
– ser obrigado/a a assistir ou a participar em filmes, fotografias ou espetáculos pornográficos;
– ser forçado/a a envolver-se na prostituição.
 
PS: O não consentimento ou a não autorização da vítima para o envolvimento em atos sexuais é uma das características da violência sexual. Mas, quando a vítima é uma criança ou jovem com menos de 14 anos, não interessa se ela mostrou ou não vontade de se envolver sexualmente com outra pessoa.

A denúncia é um importante instrumento de intervenção da sociedade no sentido de coibir a prática.

Para denunciar, você pode entrar em contato com:

– Polícia Militar – 190;
– Polícia Rodoviária Federal – 191;
– delegacias especializadas ou comuns;
– disque denúncias locais;
– Delegacias de Polícia;
– Polícia Federal.
Informações via LEAD

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About The Author

Henrique Assis

Henrique Assis, mais conhecido como Magoo - por não enxergar muito bem sem seus óculos -, é um típico leonino narcisista que pegaria a si mesmo se um dia cruzasse consigo em uma dessas baladinhas alternativas. Com 25 anos e formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica de Brasília, trabalha como designer e é apaixonado por arte. Todo tipo de arte, mas principalmente se ela for relacionada com peladeza e sacanagem.

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